Tempos de mudança – Parte 1

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Caríssimos, escrevo vos sobre os loucos dias em que vivemos.

Estamos em tempos de mudança, comecei a olhar para o mundo económico após a famosa bolha dos subprime rebentar em meados de 2008, a qual só recentemente percebi a que se deveu. Fazendo curta uma história longa, o acesso ao crédito nos Estados Unidos era fácil, nomeadamente o crédito para habitação. O crédito era tão fácil que era atribuído aos NINJAs. Não a senhores orientais mascarados de negro, mestres na arte do engano, ostentando armas afiadas, e movimentando-se através de saltos acrobáticos. Mas aos “No Income No Job no Assets”, ou seja, indivíduos sem rendimentos, sem trabalho e sem activos.

Parece uma operação algo arriscada devido à ausência de garantias, mas que dificilmente poderia causar a crise que causou, não fosse a ganancia humana levar a que as entidades bancarias que emitiram estes empréstimos, os dividissem infinitamente e os vendessem a retalho como obrigações seguras (com garantias) e consequente ranking máximo de AAA (investimentos com o risco mais reduzido). Estas unidades de dívida totalizavam milhões e milhões de dólares e podiam ser encontradas nos portfolios de investidores privados espalhados pelo mundo, mas, mais grave, em portfolios de instituições publicas ou mesmo governamentais.

Apesar de pouco ou nada ser pedido como garantia aos devedores, esta dívida teria sempre a hipoteca sobre o imóvel em que incide como garantia (dai poder ser retalhada, vendida e anunciada como tal). Até aqui tudo mais ou menos bem. Mas o que realmente terá causado tamanha crise que levou quase 10 anos a ser superada?

Pois bem, não é necessário ir muito mais longe. Credito facilitado, para não dizer impingido, com poucas ou nenhumas garantias requeridas levou a que a procura por habitação tenha disparado em flecha, primeiras casas, segundas casas, terceiras casas… já estão a ver onde isto vai parar. Aumenta a procura, quando a oferta não consegue acompanhar (apesar do frenesim na construção) leva-nos a um aumento atronómico dos preços no mercado imobiliário.

Não demorou muito ate os devedores entrarem em incumprimento, motivando a venda de muitos dos imóveis. Mas já era tarde de mais. Milhares de devedores em incumprimento levam a um venda colectiva de imóveis que faz os preços dos mesmos baixarem (em alguns caso em 80%), congelando o mercado da construção e pior, deixando os credores (bancos e seus clientes) em mãos com milhares de imóveis subvalorizados e sem procura.

Tudo isto escala a nível mundial porque por esta altura, o banco já só é um intermediário, porque a divida já estava espalhada por milhões de investidores à volta do mundo que investiram num produto com “garantias”, rotulado como “sem risco”, que agora querem “garantir” o seu dinheiro de volta. O problema é que a garantia geralmente valia menos de metade do valor “seguro”, gerando um problema de liquidez dos bancos, gerando um problema de liquidez global.

Para fazer face a este problema, a solução (em maior ou menor escala) acabou por ser a redução das taxas de juro e impressão (ou apenas criação, visto tudo ter sido feito a nível informático) de dinheiro por parte dos bancos centrais, primeiramente para comprar dívida emitida pelo próprio país, mas também para comprar obrigações dos bancos com graves problemas de liquidez, tentando amenizar a crescente tempestade nos mares económicos.

Toda esta giga-joga, levou a uma injecção brutal de liquidez no sistema económico mundial, tendo efeitos fantásticos, evitando o agravar da crise e surpreendentemente aumentando o consumo e não causando inflação. Apesar da austeridade, vulgo apertar do cinto, presente na memória recente dos portuguêses, o mundo recuperou muito bem da crise supra citada. Por outras palavras, podia ter sido muito pior.

Hoje em dia vivem-se tempos de calmaria após a tempestade. Mas estes tempos têm os dias contados…

Para a semana há mais!

X

Publicado por

Senhor X

Mais uma pessoa aleatória a tentar vingar na vida, ambicionando a independência financeira o quanto antes!

Um pensamento em “Tempos de mudança – Parte 1”

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