Relatos de Amigos – Ep1

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Caríssimos, tenho o prazer de vos apresentar uma nova, mas há muito esperada rubrica do nosso blog: Relatos de Amigos, onde escritores convidados irão partilhar as suas historias, experiências e opiniões.

Iremos começar com o nosso caríssimo João Carrasco, um jovem, amigo e ex colega de X, que teve uma breve passagem por Inglaterra (mercado laboral) e Islândia (voluntariado) e relata a sua experiência e a bagagem que trouxe da mesma.

Quando pensamos em empreendedorismo, geralmente é ao nível empresarial e/ ou dos negócios. Contudo empreender em experiências de vida é também uma forma de empreender, muito válida. No meu caso específico, e que vou abordar um pouco, será direcionado para viagens.

De forma breve, terminei o 12º ano (em 2017), e já desde o 10º ano contemplava a ideia de realizar um Gap Year. Sendo que para além da Filosofia (e até certo ponto, História. E mais tarde Sociologia/ Antropologia, mas mesmo assim nessa altura ainda não percebia bem para o que serviam), não via grandes opções, ou opções atraentes de licenciatura de ensino superior. O Gap Year, não seria apenas dar-me mais tempo para escolher o que queria realmente fazer, mas também uma forma de crescer exterior e interiormente (tipo Hobbit lol). Depois de muito chatear os meus pais, e os obrigar a ir a um congresso da Associação Gap Year Portugal, eles lá deixaram que eu optasse por essa experiência de um ano (que na realidade foram 6 meses).

O difícil foi de facto escolher um país e o que fazer. Sendo que nesse mesmo congresso conheci uma empresa que ajudava na questão burocrática do Gap Year, e comecei a cogitar países como a Noruega, Islândia, Finlândia, Dinamarca e na extensão Escócia, para trabalhar na aérea de hotelaria (apesar de não ser bem onde me sentia o mais confortável, não tinha muitas opções e para mais para o tipo de países que queira ir). Contudo e devido a pré-requisitos o Reino Unido era a “única” opção (ou pelo menos de início). Escócia, Irlanda do Norte e país de Gales até não eram lugares onde me importasse de viver por uns tempos, mas Inglaterra (que já tinha visitado) não era bem o que eu queria. Pois um dos meus objetivos com este GY era ir o mais a norte possível (sim, detenho uma estranha e amável relação com climas ditos “menos amistosos”/ frios). Sendo que pedi bastante à empresa para poder ir para o Norte de Inglaterra. Devido a vários fatores acabei por ser colocado, ou dado como primeira escolha, uma pequena vila no interior de Inglaterra (a cerca de 100KM de Londres).

Não era bem o que estava a espera, mas isto já era meio de Novembro (de 2017), e eu não queria mais adiar o Gap Year (sendo que teria que estar de volta a Portugal no máximo até Maio, caso quisesse tratar dos papeis para o Ensino superior), e portanto aceitei. Devo confessar que devido aos nervos levei impressos 3 opções de deslocação do aeroporto até ao Hotel (onde fiquei cerca de 3 meses), pois tinha medo de me perder, ou por exemplo um dos transportes falhar (algo que não acontece em Inglaterra), sendo que cheguei muito facilmente ao local. Os primeiros dias foram difíceis no hotel, e se não fosse ajuda de dois colegas em particular e do manager, provavelmente teria ido embora mais cedo. Pois, e para quem nunca serviu às mesas, há toda uma linha de raciocínio, normas e valores que temos que atender e respeitar à milésima, para as coisas correrem bem (muitas vezes não correram). Tive vários momentos em que quis ir embora, contudo o facto de ter um local para dormir, comida e um salário fixo ao final do mês adiaram essa decisão. Tive também alguns bons momentos e que certamente não me vou esquecer.

No início de Janeiro de 2018, surge uma oportunidade da qual já me tinha esquecido pois parecia surreal e que apesar de fantástica, eu não me sinta capacitado para tal. Era um Projeto de voluntariado para ser Líder num workcamp de sustentabilidade na Islândia (limpeza de praias) durante 3 meses. Nesta altura já “dominava” o trabalho e sentia-me um pouco melhor no hotel, contudo ainda faltava algo para completar a experiência. Decidi aceitar a vaga, ou por outras palavras empreender de novo. Custou-me despedir das várias pessoas que me ajudaram e que posso dizer que se tornaram minhas amigas naquela pequena vila, mas precisava de mudar e muitas vezes temos que aceitar que o melhor é adotar a “arte de desistir”. Foi também muito doloroso a chegada a Islândia e os primeiros dois meses, pois e apesar da (breve) formação inicial que tive e de estar sempre com outros colegas lideres, é preciso aqui também um conjunto de regras e normas e modos de estar para ser líder. Não é para todos e surgem muitas dificuldades, mesmo que todos os WorkCamps tenham sido apenas com pessoas maiores de 18 anos, havia pessoas que não tinha senso comum, pensava que aquilo era um campo de férias ou que os líderes eram os pais e mães deles. Devo dizer também que errei bastante lá, olhando para trás facilmente poderia ter feito várias coisas de outras formas e ter sido mais presente em alguns momentos.

Da Islândia não irei falar muito mais, pois a complexidade daqueles três meses e todos os momentos (na sua maioria bons) que tive deram me “ilusão” que passei lá quase que um ano, e dai a infinitude de experiências que podia relatar. Conhecei (maioritariamente) pessoas incríveis de várias partes do mundo, várias das quais estarão sempre na minha memória e certamente são pessoas amigas. Infelizmente (de certo modo), em maio de 2018 voltei a Portugal. Acabei por maturar a ideia da Sociologia apesar de na altura saber apenas que é o “estudo da sociedade” (sendo que extravasa brutalmente esse conceito básico), e decidi candidatar-me para o Ensino Superior. Sendo que sou atualmente aluno de 1º ano em Sociologia em Lisboa.

E com o conhecimento e perspectiva que tenho, quase passado um ano da experiência, e com os dois “papéis socais” que tive a oportunidade de experimentar, posso afirmar que empreender nas ditas “Soft Skills”, para além de algo corajoso e contra corrente (devido à grande coercividade de fazer algo diferente da maioria), são muito necessárias. Tanto a nível pessoal, como a nível de reconhecimento por futuros empregadores, pois muitos ensinamentos e experiências, por mais alto que seja o prestígio da Universidade que se frequente, não é função desta os transmitir.

Como aluno e entusiasta de Sociologia (e Ciências Socias no geral), posso afirmar que tanto as clássicas “Hard Skills” como as “Soft Skills” são empreendimentos muito valiosos e ainda melhores se combinados.

Espero que tenham gostado da breve (pode ser que em breve tenhamos mais detalhes da experiência na Islândia) historia que o João partilhou., e esperemos que tenhamos mais artigos de convidados no futuro.

Ate ja!

 

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