Tenho Dinheiro! Quero Investir – Road Map #5

Eu sei, eu sei. Já estavam à espera deste artigo faz algum tempo. Pois bem, não esperam mais! Vou-vos dizer como podem aplicar as vossas poupanças para que o vosso dinheiro não fique só aí parado a fazer pó e a desvalorizar com a inflação.

Venham daí!

5ª semana destes posts em jeito de how-to. Por esta altura já têm as coisas mais ou menos orientada de finanças? Não? Não faz mal! Estas coisas levam o seu tempo e fazer mudanças duradouras nas nossas vidas nunca é um processo simples, fácil ou imediato.

Em todo o caso podem sempre voltar a ler os artigos #1, #2, #3 e #4 para saber como chegam aqui. E claro, voltar aqui para se sentirem inspirados.

Mais uma vez (!) deixo o aviso: Investir tem os seus riscos, e devem ter isso em conta, um maior retorno em principio tem maior risco e vice-versa. Saibam bem primeiro qual o nível de risco que estão confortáveis e a quantia que estão dispostos(as) a utilizar para obter retorno.

E vamos mesmo começar por aí!

“Regras” ditam que se deverá ter pelo menos na conta corrente ou em poupança o equivalente a 6 meses de custo de vida normal. Isto é, caso um dia tudo corra mal na vossa vida, têm 6 meses de almofada para conseguirem viver tranquilamente e procurar novo emprego, por exemplo. Depois desta regra, há muitas formas de ver a quantia a investir. Há quem coloque só metade do seu dinheiro em investimentos, há quem meta tudo o que pode no investimento de maior rentabilidade, há quem faça uma mistura para ter um portefólio mais variado que permita maior flexibilidade, etc. Na realidade o que quero fazer passar é:

Cada um investe de uma forma e uma quantia que lhe seja confortável.

Dando o meu exemplo, gosto de ter de facto a almofada de 6 meses de despesas, porque nunca se sabe, e gosto de poder investir tudo o resto. Contudo gosto de distribuir os meus investimentos em 60/70% em aplicações de risco “superior” e o restante em aplicações de risco “inferior”.

Riscos! Eles existem e temos que estar conscientes, dificilmente existirá a hipótese de perderem todo o vosso capital nas sugestões que darei a seguir, mas é bom ter a ideia que estas soluções não são eternas e é importante estar alerta para mudanças no mundo. Igualmente estas formas de investir são essencialmente pontos de partida para poderem explorar um pouco mais caso vos falte ideias.

Dito isto, vamos lá então ver o nosso cardápio de investimentos disponíveis para o pequeno investidor comum.

Depósitos a prazo – Aqui começamos com coisas que em outros tempo davam rendimentos acima do valor da inflação, mas atualmente podem contar com menos de 1% de retorno no vosso investimento. É seguro. Podem falar com o vosso banco para subscrever e é isto. A minha opinião: Numa fase em que os juros aos bancos estão baixos (negativos) não compensa.

Certificados do Tesouro – Uma boa alternativa aos depósitos a prazo. Os CTT providenciam a oportunidade de emprestar dinheiro ao estado e os investidores recebem um pequeno juro por isso. É seguro, relativamente simples de constituir e o retorno dá para fazer face à inflação. O único senão é que a constituição mínima é 1000 euros e não podem resgatar o vosso capital antes do fim do período de aplicação. A minha opinião: É a escolha ideal para quem tem aversão ao risco e quer ter uma conta poupança que dê alguns juros. Como são obrigados a manter o vosso dinheiro no mesmo sitio por 7 anos, acabam por não o gastar e isso é bom.

Raize.pt – Chegamos às alternativas menos conhecidas e de retornos mais convincentes. Podem obter aqui retornos entre 4 a 7% em média (sem impostos) emprestando o vosso dinheiro a pequenas e médias empresas que se comprometem pagar uma prestação fixa até à maturidade do empréstimo. É simples porque a plataforma nesta fase aloca automaticamente o dinheiro conforme as empresas solicitam os empréstimos (se optarem por ativar o tracker). A segurança desta plataforma apenas reside no facto de a Raize ter a atividade monitorizada pela CMVM, contudo pode haver incumprimentos por parte da empresas e podem perder dinheiro caso a empresa vá à falência. A minha opinião: Eu pessoalmente uso como “conta poupança” de retorno moderado, tento que os empréstimos tenham valores pequenos para reduzir a exposição a empresas não cumpridoras e reduzir o risco de perder algum dinheiro. Até agora tem corrido bem.

Planos Poupança Reforma (PPR) – Existem para vários gostos e feitios. Há PPR’s com retornos interessantes como os que W subscreveu. Em Portugal o regime fiscal para estes investimentos são interessantes até certo ponto e poderá ser por aí que fará sentido subscrever um PPR, para receber mais de IRS no ano seguinte. Têm a hipotese de subscrever milhentos PPRs de todos os níveis de risco e com as constituições mais diversas. A minha opinião: Estou a ponderar até ao fim do ano constituir um PPr com o valor que permite o máximo de retorno de investimento no que diz respeito a devolução no IRS. Conto analisar este tema e criar um post dedicado ao assunto. (se estão interessados nesta análise, mostrem o vosso amor nos comentários!)

Mintos.com – Esta é uma plataforma muito parecida à Raize, mas além da possibilidade de emprestarem o vosso dinheiro a empresas, podem também financiar os projetos pessoais de pessoas por esse mundo fora a taxas de retorno bastante simpáticas, entre 5 e 15%. Existe ainda uma funcionalidade de buyback para o caso dos empréstimos não serem pagos num prazo de 60 dias, o vosso dinheiro é devolvido. A empresa que criou a plataforma tem tido bastante sucesso e o risco em investir nesta plataforma é de a Mintos colapsar, ou, com perdas menos significativas, um dos originadores dos empréstimos falir. A minha opinião: Pessoalmente é onde tenho a maior parte dos meus investimentos de momento. a minha taxa de retorno situa-se nos 11%, invisto em empréstimos com buyback, em quantias pequenas por cada empréstimo e na maior diversidade possível de originadores de empréstimos para reduzir a exposição a cada um. Tem valido o risco, mas estou atento a mudanças.

Ouro – É uma opção para todos. Desde o comprar pouco ao muito. Desde as grandes convicções às pequenas. Desde o gosto por ter ouro em mãos ao simples facto de servir de investimento. O ouro já foi debatido neste blog e mais recentemente publicámos uma conversa sobre o assunto no nosso Podcast! Oiçam que vale a pena! A minha opinião: É um bom investimento se fizerem um bom timming do mercado, ou seja, comprarem baixo (antes de um crash) e venderem no pico de uma crise financeira. De resto não lhe vejo grande utilidade como investimento.

Acções – A complexidade aumenta cada vez de tema e os retornos (possíveis) também! Mas enganem-se que isto é para qualquer um. É preciso muita disciplina muitos nervos de aço para investir em acções ou bens mobiliários. Igualmente será necessário uma estratégia sólida e bem definida para entrar nos mercados e tirar proveito disso. Os vossos retornos podem ser tão grandes como 10% num só dia (!) se escolherem a acção certa e o momento certo, como poderão perdê-lo pelo oposto. Um investimento em bolsa mais acessível ao pequeno investidor será a compra de índices como o SP500. A compra de índices permites que cada pequeno investidor possa ter um pequeno pedaço de todas as empresas cotadas nesse índice. Geralmente é nestas compras que as comissões das plataformas são mais baixas, por isso, é uma situação win/win. Como é óbvio apostar em índices não é garantido um grande retorno, mas se a vossa aposta em no longo prazo o SP500 tem uma média de valorização desde 1926 de 7% já a contar com a inflação! A minha opinião: Não me querendo adiantar muito mas tenciono fazer qualquer coisa neste capítulo para o ano. Fiquem atentos a esta plataforma que vos vou contar tudo! Pessoalmente vejo grande potencial neste tema mas numa abordagem mais conservadora e a longo prazo. Podem também acompanhar no Blog a competição entre os meus colegas. A vida e os investimentos são maratonas e não sprints.

Cryptomoedas – Chegamos à estratosfera! A par disto só mesmo a lotaria, tanto nos ganhos como em acertar no “número” vencedor. Podem investir em várias “moedas” e podem investir com pouco ou muito. Os retornos podem ser brutais, assim como os tombos podem ser aterradores, em suma um mercado muito volátil só para os “homens de barba rija” que gostam de ir ao casino e jogar na roleta. A minha opinião: Não, não, não. Para já não. Ponho a hipotese de vir a ser um investimento de risco um dia destes mas em quantidade muito pequenas de investimento e apenas para diversificar. Vai depender de como os restantes investimentos vão correr e se vir validade no ponto de entrada.

E é isto… Este é, até à data, o meu post mais comprido mas mesmo assim fica muito por dizer em relação a cada tema. Espero que tenham encontrado inspiração e informação nas linhas acima e se tiverem dúvidas e quiserem saber mais sobre estes temas, deixem o vosso comentário!

Não se esqueçam de dar um olhinho no nosso Facebook e subscrevam nosso canal do YouTube onde vamos colocando os nossos podcasts. Próxima semana há mais.

Até lá,

Z

 

 

 

4 opiniões sobre “Tenho Dinheiro! Quero Investir – Road Map #5”

    1. Em Portugal, ao Investir num PPR, podera deduzir 20% do valor investido em IRS ate um maximo de 400€, correspondente a um investimento maximo de 2000€ anuais. Podera investir mais, todavia nao podera deduzir mais do que 400€ no IRS anualmente

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    2. Como já disse X, podes deduzir até 400€ caso tenhas menos de 35 anos. Podes fazer isto todos os anos o que se proporciona uma boa forma de investimento pelo reembolso de IRS e futuramente pelos ganhos do mesmo PPR. Por cima disto tudo, tens ainda uma taxa reduzida de tributação das mais valias quando fazes um resgate dentro das condições previstas na lei. Num próximo post irei falar destas coisas! Fiquem atentos!
      Z

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