O Bolso do Cidadão e as Legislativas 2019 – Parte 2

Estando cada vez mais próxima a data de exercermos o nosso direito de voto, este artigo vem concluir a ronda pelos partidos nas matérias que nos interessam, finanças! Vem daí conhecer as propostas dos “outros” partidos.

A semana passada fiz um resumo das propostas dos partidos “maiores”. O resumo que te trago hoje é dos partidos que “ainda” não têm assento parlamentar, ou seja, não estão representados por nenhum deputado de momento. Este estatuto, posso dizer, faz com que as propostas sejam mais audazes, e por outro lado também muito despreocupadas, e por isso, de uma ou outra forma, mais populares e/ou preguiçosas. Siga então resumir!

Vale tudo menos arrancar olhos!

Portanto, sem uma ordem definida, vamos a isto:

ALIANÇA – Este novo partido criado por Santana Lopes “entende determinante afastar a economia de baixos salários” e estão muito desagradados com as politicas economicas e as taxas existentes. No programa apresentam muitas estatísticas e números, e querem rever os escalões de IRS e aumentar os valores das deduções do IRS, mas números e valores concretos não têm. Revisões de IMI, apoio à poupança e revisão do IRC são outras das ambições sem valores. No programa há referências a muitas estratégias e vontades que podem ficar em sintonia com as tuas. Quem sabe?

PTP – O Partido Trabalhista Português não tem um “site” muito explicito e não encontrei nenhum programa eleitoral, muito menos algo que fizesse referência a finanças. O que podemos encontrar é umas ligações a um blog com os ideais do partido. That’s all folks!

LIVRE – Este partido encabeçado pela mediática Joacine Katar Moreira, quer um aumento do salário minimo até aos 900€, quer testar um Rendimento Básico de Cidadania (ganhas dinheiro só por respirares como cidadão português), quer semanas de 30h de trabalho e 30 dias de férias (!) e outras coisas mais agradáveis para quem trabalha e tem filhos. Tudo isto e muito mais num programa, fácil de entender, simples e com um misto de medidas concretas com coisas mais abstractas.

PNR – Para estas legislativas o Partido Nacional Renovador aposta numa renovação da força industrial do país e para isso quer nacionalizar grandes empresas portuguesas e criar incentivos do IRC. Quer igualmente isentar de segurança social empresas que tragam os portugueses de volta para portugal (a olhar para W e X). Numa parte do programa mais virado para as finanças pessoais, pretende-se isentar o IRS de PPRs, e muitos benefícios para quem tem 3 filhos ou mais (isenção de impostos diversos). Portanto se estas pessoas ganharem, toca a multiplicar!

PURP – O Partido Unido dos Reformados e Pensionistas apresenta-nos um programa menos extenso onde, por razões óbvias, favorece financeiramente… os reformados e pensionistas. Desde regresso de taxas de IRS mais brandas e pensões ao nível do ordenado mínimo, até que sejam agilizados com urgência os processos de pedidos de reforma. Vemos também mais abrangência quando querem menos IVA na eletricidade e gás (para 6%) e menos impostos nos combustíveis fosseis. É isto! Nota final de roda-pé: querem acabar com o imposto que alimenta a televisão pública (RTP). Eu não vejo televisão, por isso apoio isto! #internetMediaIsTheNewMedia

JPP – O “movimento” Juntos Pelo Povo apresenta um site cheio de noticias e um conjunto de principios vagos o suficiente para não se comprometer. infelizmente pouco há para dizer com base na informação concretamente disponibilizada pelo partido sobre os temas que tu e eu nos interessamos. Pena.

Nós, Cidadãos – Aqui é pelos cidadãos! Jovens casais com um filho: corte de 25% em matéria colectável do IRS. Queres mais filhos? Corta ainda mais! Do lado do trabalho é o fim dos contratos a termo e 35h de trabalho (com o ajuste de ordenado em conformidade). Para a reforma, uma pensão mínima igual a 75% do ordenado mínimo. Claro que não é só isto, há uma politica de ambiente e de reforma do estado que pode ser também vista no programa eleitoral. Mas é tudo no que se refere a finanças.

PPM – Para o Partido Popular Monárquico é mais complicado encontrar mais que um video da SIC Noticias que tem de título “PPM tem o mesmo programa eleitoral desde 1974?” *spoiler alert* Sim. e dado ao formato original do programa, não consegui até à escrita deste artigo aceder ao conteúdo do mesmo.

RIR – O partido do “Tino de Râs” quer Reagir, Incluir e Reciclar, mas(!) o que é que isso significa para nós? Aqui vemos que existem vontades de reduzir impostas para as pessoas e empresas, de reduzir o custo da energia para o consumidor, baixar o IVA da eletricidade, procurar uma “Fiscalidade mais Simples e mais Justa”, acabar com as portagens nas SCUTS. Há ainda espaço para o aumento do salário mínimo, 35h de trabalho semanais, aumentos de pensões e reformas e variados benefícios para quem tem filhos. Este programa tem, portanto, algo de reagir, uma pitada de incluir e talvez um pouco de reciclar para os nossos bolsos.

CHEGA – O programa eleitoral do CHEGA não tem nome de programa eleitoral, é um “Programa Político” que para finanças e dinheiros quer mais “transparência”. Quer-se, também, uma simplificação do IRS, com a existência de uma taxa única de IRS a partir de um certo rendimento, que começa em 15% em 2020 e vai até aos 10% em 2023. Igual bitola quer-se aplicar ao IRC mas com uma taxa 1% a baixo da taxa mais baixa da Europa (não sei qual é). Uma nota deste programa, que eu destaco, é o fim da dupla tributação nos lucros das empresas, IRC no contexto normal e IRS na distribuição de dividendos. Cool!

PCTP/MRPP – Mais um partido com um programa com um nome diferente. Desta feita o Manifesto Eleitoral do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses define o rumo com a saída da União Europeia, não pagamento da dívida pública, nacionalização de grandes empresas portuguesas, 35h de trabalho semanal, aumentos de ordenado e subsidio de desemprego vitalício (de valor igual ao ultimo ordenado), enfim uma panóplia de benefícios para desempregados incluindo pagamento de contas e renda por parte da segurança social. Um verdadeiro paraíso para o desemprego.

MPT – O Partido da Terra trás-nos um programa em jeito de simulador virtual de livro que apenas apresenta umas ideias gerais (tipo ideais) sobre finanças. Como seria de esperar tens muitas ideias ligadas à economia verde e circular, um melhor aproveitamento de recursos, e um “Indicador de Felicidade Interna Bruta”. Fora isso nada de conclusivo.

PDR – O Partido Democrático Republicano também tem umma palavra a dizer sobre os estímulos ao emprego: quer reduzir a TSU para que as empresas possas contratar mais e pagar melhor, quer 35h semanais e fazer umas alterações proteção social dos trabalhadores. Seguindo a moda da “Justiça Fiscal” que todos falam, temos cortes, muitos! Ele é imposto automóvel, é fim do IMI até 150k€, é taxas de IRS, é IVA a 6%  para as coisas básicas (inclui telecomunicações), etc. Depois temos também um “forte incentivo fiscal à poupança das famílias” sem dizer o quê mesmo. Vejam aqui se ficaste curios@.

IL – em 269 páginas de programa tiro isto: 15% de IRS para todos (e o fim das deduções!), “simplificação fiscal”, fim de dupla tributação, alterações no IMI e no IMT e um salário mínimo definido por cada município. Tens também uma redução do IVA para 6% caso queiras adquirir painéis solares. Destaco aqui um ponto interessante: Promoção da utilização de plataformas de financiamento colaborativo. Que não é nada mais que modificar a lei que define o funcionamento de plataformas como a Raize, para permitir mais flexibilidade à empresas.

MAS – O Movimento Alternativo Socialista, tem um folheto que é claro e simples (4 páginas, feito!) e tem o seguinte na nossa temática favorita: salário mínimo 900€, aumento de salários em 100€ e diminuição da idade da reforma para 62 anos ou 36 de descontos. Pumbas!

E pronto, com isto concluo o prolongado tema destas semanas. Espero que te seja útil esta informação altamente resumida e deixo um aviso:

Isto não representa a visão de todo um partido!

A análise aqui é muito curta e limitada e espero que votes de consciência, e que possas investigar no pouco tempo que resta o programa do partido que achas que te faz mais sentido.

Numa nota pessoal digo apenas uma coisa: Vai votar, tá?!

Para a semana há mais coisinhas boas!

Até lá,

Z

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Um pensamento em “O Bolso do Cidadão e as Legislativas 2019 – Parte 2”

  1. Bom artigo Z! Muita investigação!

    Contra mim falando, que pouco ou nada investiguei activamente para alem do que me chegou e uma ou outra conversa sobre o tema, mas em geral acho que a falta de medidas concretas e especialmente a justificação de como as alcançar acabam por ser uma boa demonstração do “amadorismo” dos (nossos) políticos que “trabalham” para um povo ainda mais “amador”, ou talvez se deva ler desinteressado e descrente na forca politica (sim, incluo-me um pouco neste ponto).

    Por fim e apesar de alguma simpatia da minha parte com os ideais de esquerda, acho completamente incríveis algumas propostas! O Rendimento Básico de Cidadania do LIVRE e algo baseado na MMT (Modern Monetary Theory), mais concretamente o Helicopter Money, como chamam por estas bandas. Sem entrar em grandes pormenores isto traduz se numa brutal injecção de capital na economia e será brutalmente inflacionaria e um enorme potenciador de bolhas! Imobiliária, mercado de accoes, etc. Por mais fantástico que isto pareça para o comum mortal, apenas o será para o clássico chapa ganha-chapa gasta, porque como mencionei antes isto ira potenciar bolhas em todos as areas e mais algumas, e ira erodir brutalmente as poupanças das pessoas, esmagando brutalmente o seu poder de compra.

    Talvez tudo isto seja um cenário algo apocalíptico e certamente algo distante, mas creio que a diversificação para activos não monetários será a única forma para nos protegermos de tal evento!

    Como? A solução passara por uma mistura de Ouro e Cryptomoedas! Talvez com mais peso em ouro, se o foco for a segurança e preservação do poder de compra no longo prazo.

    Em alternativa ao ouro gostaria de mencionar a prata e as matérias primas em geral neste cesto que certamente beneficiara de um ambiente inflacionario.

    Por fim e em casos de previsoes mais apocalípticas e ao possível desmoronamento do sistema financeiro, os activos físicos que de facto podemos por no nosso bolso (leia-se cofre/armazém/silo/etc) e transaciona-los com facilidade. Sem querer bater demasiado na mesma tecla: Ouro!

    E vendendo um pouco o meu peixe, se tiverem interesse em investir no mesmo, escrevi recentemente um artigo a explicar como investir em Ouro:

    https://wxzinvest.com/2019/10/03/como-investir-em-ouro/

    Bons investimentos,
    X

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