Raio X – Analise ao mercado de matérias primas – Especial Petróleo

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Caríssimos, mais de ano e meio de WXZ Invest e creio que nunca dediquei um artigo ao infame Petróleo que nos dias que correm, muito por culpa da nossa cara Greta Thunberg, tem sido mais mal falado que nunca…

  • De que nos queres falar hoje X?
  • De como podemos lucrar com isto!

Everything Bubble

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Creio ser importante começar por enquadrar o “estado da nação”:

Desde a crise de 2008 que as taxas de juros são mantidas artificialmente baixas para manter a economia a trabalhar e evitar a todo o custo uma recessão. Isto tem criado o que alguns académicos chamam a Everything Bubble, ou seja a bolha de tudo e mais alguma coisa, nomeadamente do mercado bolsista, imobiliário e credito empresarial, devido ao acesso a crédito brutalmente fácil e barato. Todavia, contra as expectativas dos bancos centrais, a inflação continua relativamente baixa, causando o recorrente receio de deflação, sentimento que acaba por evitar o aumento dos preços dos bens de consumo (inflação).

Abaixo podemos ver a performance do S&P 500 nos últimos 20 anos, com duas recessões pelo caminho, actualmente atingindo novos máximos a cada dia que passa. Creio que uma terceira recessão estará para breve, mas deixemos a previsões e agoiros para outro dia e restringêmo-nos aos factos:

Estamos perante o mais longo Bull Market de todos os tempos e o mesmo é coincidente com o mais longo período de baixas taxas de juros nos Estados Unidos, o motor da Economia mundial. Se considerarmos as economias europeia e japonesa as taxas caem para valores sub-zero.

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O acesso a dinheiro “barato” tende a inflacionar a generalidade dos activos, todavia temos uma classe de activos que na verdade se encontra num longo Bear Market (mais de 5 anos):

Commodities

Também conhecidas como matérias primas, estão num Bear Market desde 2013, e este Bear Market ainda se torna mais acentuado se considerar-mos a sua performance relativamente o índice SP 500!!!

Segundo o gráfico a baixo, para atingir-mos a relação media entre o S&P 500 (proxy do mercado americano) e o S&P GSCI (proxy do mercado de matérias primas), o S&P 500 teria que desvalorizar 44% E o GSCI teria que valorizar 112%!!! Creio ser importante frisar que ambas as premissas teriam que se realizar para atingirmos o valor médio os últimos (quase) 50 anos.

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Para qualquer investidor que busque valor, creio que actualmente, o investimento em commodities ou matérias primas ser uma boa aposta para o longo prazo (quem sabe para médio prazo ou curto prazo).

Onde investir?

Já lá vamos!


Greta Thunberg

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Gostava de vos falar um pouco sobre a amiga Greta. Creio que todos saibam de quem se trata, ou então devem viver debaixo de uma pedra ou acabaram de sair de um retiro espiritual num mosteiro budista nas montanhas do Tibete.

Caso seja esse o caso, deixem-me que brevemente vos elucide:

Greta Tintin Eleonora Ernman Thunberg (nascida a 3 de Janeiro de 2003) uma activista ambiental sueca, atingiu reconhecimento internacional, tendo sido inclusivamente considerada a pessoa do ano para a revista Time (a pessoa mais nova de sempre) e nomeada para o Prémio Nobel da Paz. Greta, sem papas na língua exige acção imediata por parte de politicos e populações para travar e reverter as alterações climáticas. Greta é hoje um símbolo global da luta contra o aquecimento global, tendo criado um tamanho buzz entre miúdos (greves nas escolas) e graúdos. No lote dos graúdos temos filantropos milionários que já doaram mais de meio milhão de dólares para a causa, tendo-se propondo a doar 100 vezes esse valor durante os próximos meses. Politicos influentes, como Jean-Claude Juncker (Presidente da Comissão Europeia) afirmou que entre 2021 e 2027, 1/4 do orçamento Europeu será destinado a acções para mitigar as alterações climáticas. Este buzz fez despertar as populações para a questão das alterações climáticas fazendo com que os partidos “verdes” por toda a Europa tenham conquistado mais acentos nas diversas assembleias do que nunca. Com uma opinião, digamos, não tão positiva de Greta, temos personalidades de renome como o presidente russo Vladimir Putin, o homologo americano Donald Trump, o primeiro ministro francês Emmanuel Macron ou o secretario geral da OPEC (Organização de Países Exportadores de Petróleo) Mohammed Barkindo que se opõem ou refutam as opiniões e abordagens de Greta.

Concordando ou discordando, apoiando ou opondo-se a Greta e ao seu modus-operandis, é factual o seu impacto e influência na questão das alterações climáticas, atraindo apoiantes e críticos. E de facto, globalmente, muitos apoios estão a ser canalisados para projectos ecológicos, sejam energias renováveis, sejam veículos eléctricos, reduções de emissões, etc, e ao mesmo tempo os hidrocarbonetos, como o carvão ou o  petróleo têm acabado por ser algo marginalizado, sendo vistos como os maus da fita. Em Julho de 2019, a Agence France-Presse avançou que o secretario geral da OPEC Mohammed Barkindo apelidou as acções dos activistas climáticos de “ataques sem fundamento científico”, ainda assim considerando-os a maior ameaça para a industria petrolífera para os anos vindouros.


Subsídios e Apoios

Muitos apoios e subsídios têm vindo parar para os mais diversos projectos ecológicos, desde redução de preço e impostos de circulação para veículos eléctricos ou híbridos, apoios governamentais para energias renováveis, o que obviamente promove a inovação nestas áreas, motivando o empreendedorismo e o investimento. Todavia, em simultâneo, estes apoios e subsídios fazem com que muitas empresas rentáveis, deixem de o ser sem os mesmos.

A prova do dinheiro que tem entrado para o sector das energias renováveis é facto do Vanguard Energy ETF (fundamentalmente proliferates) caiu cerca de -0,7%, enquanto que o iShares Clean Energy ETF valorizou +30% em 2019.

Não sei se estaremos a falar de bolha ou não. Regra geral, as bolhas, atraem grandes quantidades de investimento que ajudam a criar as fundações para uma nova industria, mas quando a bolha rebentar só os fortes é que sobrevivem, neste caso, as empresas mais rentáveis, com menor divida, etc. E não nos esqueçamos que uma grande quantidade destas empresas/projectos verdes tanto não emitem dióxido de carbono para a atmosfera, como não emitem lucros para os seus investidores.

Não sei se a bolha verde ou Grubble (Green Bubble) como por vezes é apelidada estará prestes a rebentar (creio que não) mas creio que o petróleo esteja numa anti-bolha por varias razoes, e duas delas são devido aos subsídios:

  1. Devido ao grande influxo de capital para os projectos renováveis, potenciado pelos subsídios dos mesmos.
  2. Devido aos subsídios as empresas petrolíferas.

Devo estar a parecer contraditório, mas passo a explicar.


Shale Revolution

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A exploração de petróleo mudou muito nos últimos 10 anos com a Shale Revolution, que sem entrar em detalhes passa pela descoberta de um novo método de extracção de petróleo (fracking), o que tornou exploráveis reservas de petróleo que antes não o eram,  catapultando os Estados Unidos da America para o maior produtor de petróleo a nível global, passado de um importador, para um exportador de petróleo.

A Shale Revolution acabou por ser vitima do seu próprio sucesso. Com elevados custos de produção, entre $30 e $50 por barril (versus entre $4 e $12 por barril da Aramco, a maior e mais rentável empresa do mundo). O grande aumento da oferta afundou os preços do petróleo, o que aliado a elevados custos de produção, comprime as margens de lucro, o que se agrava ainda mais (com moda que veio do Silicon Valley e das suas empresas tecnológicas) com a prioridade dada ao crescimento/expansão face à rentabilidade, acumulando grandes quantidades de divida e gerando baixos resultados, ou mesmo prejuízo.

Muitas destas empresas não são rentáveis, apenas se mantendo em funcionamento devido tanto a subsídios governamentais e do constante investimento (venda de acções e de obrigações) nas empresas que apesar de apresentarem  prejuízo se mantém em expansão, tal como acontece com outras empresas como a Uber, a WeWork ou em regra geral a Tesla.

Caso o preço do petróleo continue a baixar (especialmente se for a baixo dos $50) e/ou os investidores perderem interesse neste tipo de investimentos growth (e/ou menos provável, mas caso os subsídios cessem), a generalidade desta industria do Shale Oil ficará sob elevada pressão, e, ou o governo intervém e resgata/subsidia  estas empresas (importantíssimas a nível económico e geo-politico) ou iremos de facto assistir a falências, redução na oferta de petróleo e consequente aumento dos preços.

Desde 2008 até aos dias de hoje, os EUA foram o país que mais aumentou a sua produção de petróleo, e esta produção proveio invariavelmente do fracking. Este aumento retirou muito poder ao monopólio da OPEC, o que acabou por atirar o preço do barril de petróleo para valores a baixo dos $100 desde meados de 2014. Eventualmente a Shale Revolution irá perder gás e retornar algum poder à OPEC, que em grupo ainda são o maior produtor de petróleo, sendo responsáveis por 34.1% da produção mundial.

Os EUA taxam o petróleo e os seus derivados muito levemente, pelo que as oscilações do preço do mesmo são sentidas muito mais pelos consumidores finais na hora de encher o depósito, sendo este um factor importantíssimo para os EUA, sua economia e consumidores Regra geral e como ex-importador de petróleo, os EUA tem tendência a querer o preço do petróleo tão baixo quanto possível, todavia, com o fracking (em média) a deixar de ser rentável com o preço por barril a baixo dos $50, sendo uma industria crescente e tão importante para os EUA, poderemos estar perante uma mudança de paradigma.

Desta forma, creio que seja extremamente improvável o preço por barril baixar dos $50, porque os EUA não têm qualquer interesse nesse cenário, aliado ao facto da OPEC + Russia querer o preço do petróleo virtualmente tão alto quanto possível, para maximizarem os seus lucros, visto terem tão baixos custos de produção.


OPEC – A Mafia do Petróleo

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A OPEC, OPEP em português: Organização de Países Exportadores de Petróleo, responsável por 40% da oferta mundial de petróleo,  é uma organização internacional criada em 1960 na Conferência de Bagdad que visa coordenar de maneira centralizada a política petrolífera dos países membros, de modo a restringir a oferta de petróleo no mercado internacional, impulsionando os preços.

Regra geral, o modus operandis da OPEC é reduzir a oferta de petróleo, aumentando o seu preço, o que para um investidor em empresas petrolíferas é sempre bom. Algo que poderá acontecer novamente face à queda dos preços do petróleo causada pelo pânico proveniente do coronavirus.

Uma breve teoria da conspiração

Em tom de teoria da conspiração, poderemos pensar que caso a OPEC opte pela abordagem oposta e aumentar a oferta, o preço do petróleo irá consequentemente baixar, o que poderá remover a generalidade do Shale Oil da equação, reduzindo de uma forma mais permanente a oferta, causando o aumento do preço do petróleo. Podendo a OPEC voltar a aumentar os preços posteriormente.

Vulgo: Dumping

Mas desta feita totalmente legal, mesmo sob as regras da WTO (Organização Mundial do Comércio)


Ninguém quer saber do Petróleo…

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Aparentemente ninguém quer saber do petróleo para nada! E como consequência temos os preços (Brent) na casa dos $57 (à data da escrita deste artigo).

Comecemos com uma breve analise….

Para termos alguma referencia relativamente aos últimos 10 anos, podemos analisar o gráfico a baixo. Entrámos em 2010 com o preço de barril de Brent a rondar os $80, sendo que durante os 4 anos seguintes o preço do barril esteve num plateau entre os $90 e os $130. Na segunda metade de 2014 entrámos num bear market que durou ano e meio até atingir o mínimo a rondar os $27 em Janeiro de 2016, caindo mais de 75%. A crise de liquidez afundou o mercado das matérias primas e o petróleo não foi excepção.

Iniciou-se então um período de retoma e expansão até Outubro de 2018, onde foi atingido o máximo de $87, com uma valorização de cerca de 60%, até que o cabecilha da FED (Reserva Federal Americana) Jerome Powell adoptou uma abordagem mais hawkish que os seus antecessores, aumentando as taxas de juros nos EUA, colocando pressão nos mercados e afundando o preço do petróleo.oil 10 anos

Para os menos atentos, o preço do petróleo tem uma enorme co-relação com os mercados financeiros (em oposição por exemplo ao ouro e outros activos de refugio), sendo que em tempos de expansão económica, a procura do petróleo aumenta, impulsionando o seu preço, e o oposto passa-se em em períodos de contracção económica.

Após a abrupta queda no final de 2018, tanto para o petróleo, como para os mercados em geral, o ano de 2019 foi muito positivo. Tensões na guerra comercial EUA x China afundaram o preço do crude nos finais de Maio de 2019, o que nos leva ao momento em que nos encontramos, o qual veremos em mais detalhe abaixo.

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No últimos 6 meses, o barril de Brent tem sido transaccionado entre os $61 e os $71 (ver Nota a baixo), sendo que a sua trajectória tem seguido ascendente com maiores mínimos e maiores máximos, o que regra geral é bom para quem quer investir nesta área.

Voltando ao tópico…

Nos últimos 6 meses tivemos 2 incidentes que afectaram o preço do crude.

O primeiro, assinalado com o número 1 foi o ataque, que ocorreu dia 14 de Setembro de 2019 (com drones, ou misseis de cruzeiro, dependendo da versão) a uma unidade de processamento da Aramco, a petrolífera estatal da Arabia Saudita, que por acaso também é a maior e mais lucrativa empresa do mundo, mais sobre isto daqui a pouco. Foquêmo-nos no ataque que afectou  5% da produção mundial de petróleo, que disparou o preço do Brent 16% num só dia (16/09/19) – incrível, ainda que fazendo todo o sentido, não fosse a queda de 9% no dia seguinte (17/09/19), e pior, antes do final do mes (30/09/19) o Brent estava cotado a um valor inferior ao valor antes do ataque.

Dia 3 de Janeiro de 2020 foi marcado por um ataque aéreo (número 2) por parte dos EUA em solo Iraniano que acabou por eliminar um dos mais importantes generais do país atacado: Qasem Soleimani, que alegadamente liderava várias células terroristas. Incidentes internacionais que envolvam o Irão, podem sempre resultar no corte do Estreito de Ormuz, que divide o Golfo Pérsico do Golfo de Omã. Estamos a falar de um estreito por onde passam cerca de 17 milhões de barris de petróleo diariamente, ou seja, 20% do total do petróleo transaccionado a nível mundial. Resultado: o preço do Brent subiu cerca de 5% num dia (03/01/20) atingindo o máximo de $71 numa valorização de quase 8% em 3 dias (06/01/20), todavia no mesmo dia o Brent chegou aos $65 (mínimo do dia), fechando perto dos $66, ou seja, ligeiramente abaixo do valor a que o barril era transaccionado antes do ataque.

Nota: com o escalar do incidente do coronavirus, o preço do Brent caiu para a casa dos $56, o que a) tanto pode por o meu raciocínio em cheque, como b) pode ser um incidente temporário (na mesma ordem de ideias que os pontos 1 e 2 supracitados, mas levando o preço na direcção oposta), abrindo uma óptima janela de entrada para o investimento em petróleo. Eu sou claramente apologista da opção b)!

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11 de Dezembro de 2019 foi o dia que coroou a Aramco (já conhecida como a empresa mais rentável de mundo), como a empresa cotada em bolsa com a maior capitalização. Rainha em tamanho, em lucro, a Aramco é responsável por 10% do output mundial de petróleo. Esta coroação foi feita através de um IPO (Oferta Publica Inicial) que acabou por ser realizado por valores bem mais modestos ($1,7 triliões) do que os ambicionados ($2 triliões), o que é algo estranho, nomeadamente para a empresa mais rentável do mundo. Para podermos colocar estes números em perspectiva, podemos olhar para os lucros da Aramco, como os lucros da Apple, da Google e da Exxon Mobil JUNTOS!

De bónus podemos ainda mencionar um enorme jazigo de petróleo descoberto recentemente  nos Emirados Árabes Unidos que deverá figurar entre os 10 maiores do mundo, e pouca ou nenhuma cobertura mediática teve direito.

Os exemplos são muitos…


…mas o Petróleo é cada vez mais importante!

Actualmente são consumidos cerca de 100.000.000 (100 milhões) barris de petróleo por dia, ou seja, 36.000.000.000 (36 biliões) barris por ano. A procura por petróleo cresceu 15% durante os últimos 10 anos (86 milhões de barris por dia em 2010).

Poderíamos pensar que o consumo de petróleo a nível mundial tivesse baixado, face aos enormes investimentos, subsídios e apostas nas energias renováveis, mas estaríamos redondamente enganados.

Creio ser importante ter em consideração que cerca de 85% da energia gerada no mundo ainda vem da combustão de hidrocarbonetos.

Conclusão

Tal como verificamos anteriormente, encontramo-nos presentemente numa fase em que os mercados accionistas estão super valorizados (especialmente) em relação às matérias primas. As preocupações ambientais estão na moda e na ordem do dia, e entre mérito, subsídios e modas, as energias renováveis acabam por ter uma crescente procura criando uma possível bolha, possivelmente deixando o petróleo na situação oposta: uma anti-bolha. Devemos ainda considerar as petrolíferas shale-oil que para serem rentáveis, o preço do petróleo tem que estar a norte dos $50, de forma a que os EUA só tenham a perder com o preço por barril a baixo dos $50, creio que este seja o mínimo dos mínimos que o preço por barril chegará, até porque a OPEC + Russia certamente apostarão em manter o preço do barril tão alto quanto possível.

Desta forma, com o barril a rondar os $57 (à data da escrita), mesmo considerando uma possível recessão a caminho temos um downside relativamente reduzido comparado com um enorme upside devido a todos os factores enumerados anteriormente.

Actualmente a agitação dos mercados (possivelmente) causada pelo corona-virus tem causado a redução de vários mercados, sendo que o petróleo não foi excepção, tornando-se cada vez mais um bom ponto de entrada para o mercado do petróleo que se encontra em baixa.

Com os mercados nas alturas e com diversos indicadores a apontarem para uma recessão para breve, devemos sempre considerar que um dos primeiros afectados será o preço do petróleo. Mas creio ser importantíssimo considerar que cerca de 34% da produção de petróleo provem do fracking, com custos de produção que chegam aos $50 por barril, sendo que com os preços a baixo deste valor irão forçar um de depois possíveis desfechos:

  1. Redução da oferta (devido aos custos de produção serem maiores que o preço de mercado), causando o aumento dos preços.
  2. EUA subsidiarem as petroleiras, permitindo-lhes produzir e manter a oferta em altas, operando em prejuízo (totalmente insustentável, especialmente no longo prazo)

Todavia creio ser difícil que o preço do petróleo chegue tão baixo. Todavia, no caso de tal se suceder, e especialmente considerando que 85% da energia gerada no mundo vem da combustão de hidrocarbonetos, a sua importância e procura não irá diminuir bruscamente (especialmente com preços baixos) no médio longo prazo, tornando a sua baixa de preço temporária, tornado-se num óptimo ponto de entrada para o investimento no sector do petróleo.

Do bónus, regra geral as petroleiras (à parte das Shale), são empresas que pagam dividendos, regra geral entre os 4%-6%, o que é bastante atractivo, sendo um óptimo veiculo para investir em petróleo, diluindo ainda mais o risco de downside, se considerarmos os dividendos. Eu creio que grandes petrolíferas, altamente líquidas e que paguem bons dividendos sejam a aposta mais sólida, acarretando menor risco mas oferecendo um grande potencial de upside.


Para finalizar, creio que estamos num óptimo momento para começar a investir em petróleo numa perspectiva de longo prazo, facto enfatizado pela queda dos preços causada pelo coronavirus.

Encontro-me actualmente investido nas empresas a baixo, e tenho planos de continuar a investir nas mesmas sempre que possa (numa base mensal), considerando ainda a ExxonMobil, Total e Shell a adicionar ao lote a baixo:

  • BP
  • Chevron
  • BHP Billiton

Para finalizar, peço-vos, hoje mais do que nunca a vossa opinião sobre o que apresentei, se concordam, se discordam e o porquê, de maneira a que todos possamos investir mais informada e racionalmente.

Como devem ter reparado, este artigo acabou por ser bem mais extenso do que é costume. Gostava que me dissessem se preferem artigos mais curtos, ou analises mais a fundo como este.

Votos de bons investimentos (quem sabe, em petróleo),

X

 

Publicado por

Senhor X

Mais uma pessoa aleatória a tentar vingar na vida, ambicionando a independência financeira o quanto antes!

5 opiniões sobre “Raio X – Analise ao mercado de matérias primas – Especial Petróleo”

  1. Excelente artigo meu caro! Muita informação e uma análise digna de um artigo do seeking alfa! 😛 Fica a minha contribuição: Se acabarmos por ter um arrefecimento económico e entrarmos em bear market, vai toda a gente fugir na mesma do petróleo. O mercado é também feito por pessoas e estas não vêm o petróleo como refugio. Isto pode levar à queda da procura e à queda do preço. A ajudar a isto, os US com um arrefecimento da economia não têm forma de subsidiar o fraking fazendo estas estas empresas falhar e aumentar o preço do petróleo. Ou algumas vá. Isto é uma pescadinha de rabo na boca que a meu ver vai levar a uma constante estagnação do preço do petróleo. Fica tudo num estado de equilibrio. Concordo contigo que o preço não baixa dos 50USD mas não me parece que vá aumentar assim tanto. Veremos.

    Liked by 1 person

    1. Muito obrigado caro Z!

      Nunca te esqueças que mesmo com temperaturas económicas sub-zero, as impressoras da FED funcionam! 😉

      De uma forma ou de outra antes ou depois da recessão, a inflação vai voltar, e creio que em força! E quando isso acontecer, creio que o petróleo (ou ouro, e as commodities em geral) serão os grandes vencedores!

      Posso estar enganado, mas como dizer: veremos!

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  2. Antes de mais queria dar vos os parabéns pela iniciativa do blog que tão recentemente conheci.
    Achei o artigo interessante e algo fora da caixa. Eu sempre que vejo os preços a baixar só quero fugir. Mas de facto todo o raciocínio por de trás dá vontade de ser do contra… se calhar vou arriscar 1000€… e se correr bem pago vos um almoço aos três!
    Continuem com o bom trabalho.
    M Alves

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  3. Obrigado pela força Mariano! Ficamos então à espera dessa almoçarada, sendo sinal que o raciocínio por detrás do investimento em proliferaras estava correcto! Bons investimentos!

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  4. Caríssimos,
    Com os preços a cair cada vez mais perante os últimos desenvolvimentos do Corona Vírus, devemos reforçar as nossas posições, esperar e ver o que acontece, ou reforçar o investimento no petróleo? Para X o caminho passa por reforçar as posições no petróleo!

    Apesar do pânico actual, o petróleo ainda é completamente essencial nos dias de hoje e certamente irá voltar a subir, e arriscaria dizer que irá subir mais cedo e mais do que muitos esperam. Posso estar enganado, mas mantenho me convicto!

    Bons investimentos,
    X

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